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Despedida

por Mariana, em 17.06.10

Querido António,

 

Lembras-te do primeiro dia? Lembras-te de quando demos as mãos pela primeira vez? Quando nos abraçamos? Quando nos beijámos? Eu lembro-me. Lembro-me como se fosse hoje. Também foste o único, o primeiro namorado que tive, por isso como não me podia lembrar? Faz hoje um ano. Sim, namoramos há um ano. Nos primeiros meses, eram só gargalhadas, só sorrisos, beijos e rosas. Era felicidades e risos para todos os lados...

Apresentei-te aos meus pais e eles adoraram-te. Numa aldeia como a nossa é bom ter um namorado que os pais aprovem. As vizinhas não falam no café da vila e uma pessoa pode andar à vontade pelas ruas com ele, sem parecer mal. Os meus pais convidavam-te para jantares lá em casa pelo menos uma vez por semana, e tu até podias entrar no meu quarto. Era tudo tão bom e eu era a pessoa mais feliz do mundo. Sim, tu fazias-me feliz.

Mas depois, os problemas começaram. Tu começaste a apoderar-te devagar e subtilmente de todo o meu tempo livre. No início, eu adorava isso. Era sinal de que querias estar comigo. Que me adoravas e que eu não te cansava. Fazia-me sentir desejada.Mas, quando eu te tentava explicar, que aquela noite era uma noite só de raparigas, tu não entendias. E dizias que não. Que eu devia ficar em casa, contigo. Os meus pais estavam lá, e gentilmente disseram que tinhas toda a razão. Que ia ser muito melhor.Aos poucos e poucos fui percebendo o que pensavas de mim. Como olhavas para mim como tua propriedade e vi todos os meus sonhos irem por água abaixo. A faculdade, o trabalho... tudo.

E eu aguentei pelos meus pais e pela sua felicidade.

Já não sorrio, já não me sinto feliz, porque tu aos poucos e poucos foste controlando e manipulando não só a mim, mas todos os meus amigos, os meus pais. Tu és o coitadinho e eu a menina mimada que quer tudo à sua maneira. Quando gritas comigo, quando te exaltas, quando me controlas, eu vejo quem tu és, mas os outros? Os outros pensam que eu sou de tal maneira insuportável que te tiro toda aquela paciência de santo.

Aguentei estes meses por eles e pelo antigo António. Adormeci e acordei em vão, todos os dias, á espera de uma mudança, mas ela não aconteceu. E hoje cansei-me de esperar. Vou-me embora.

Escrevo-te esta carta de despedida, para que percebas o quanto me fizeste sofrer. Não te desejo mal. Espero que consigas mudar e que encontres alguém que goste de ti, tal como um dia eu gostei. Mas agora não consigo. Foram muitas as lágrimas derramadas, muitos os sorrisos forçados e muitas as palavras que gritaste. O meu amor por ti foi sofocado por tudo isso. Por isso não me procures.

Pensei em acabar contigo e continuar na aldeia, mas sei que não sobreviveria aos comentários, às histórias falsas e a todos os virares de costas. Por isso decidi partir. Vou. Vou em busca dos meus sonhos. Vou em busca da minha felicidade.

Vou em busca do meu sorriso.

 

Adeus,

Leonor

leaving

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1 comentário

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De SaraM a 26.06.2010 às 14:51

"Vou em busca do meu sorriso". Não podias ter acabado melhor :)

Beijinho

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