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A outra

por Mariana, em 29.02.12

Foi ao entrar naquela igreja e ao ver-te ali deitado que me apercebi realmente do que tinha acontecido. Foi quando olhei para ti e não vi nos teus olhos o poço sem fundo por onde me perdia que me apercebi que nunca mais te veria. Nunca mais veria o teu sorriso parvo quando dizias um qualquer disparate. Senti as lágrimas escorrerem pela minha cara quando me apercebi que o fim que há já algum tempo tentava desejar tinha chegado de um forma completamente inesperada.

Não me atrevi a aproximar-me de onde estavas. Ela estava lá, bem perto de ti. Rodeada de pessoas que a consolavam, lhe limpavam as lágrimas e lhe amparavam as pernas sem força. Às vezes ouvia um soluço e um grito sufocado de quem se apercebe constantemente do que acabou de perder. No meu peito, o buraco era cada vez maior. Não era a perda que doía mais. Nunca te tive verdadeiramente para te perder. Mas também eu me estava a aperceber do que nunca mais iria observar. As lágrimas que escorriam pelos meus olhos lembravam-se constantemente da tua voz, do teu sorriso, da tua cara... Não fiz barulho nenhum. Chorei em silêncio. Não era a primeira vez que o fazia, aliás. Durante todo este tempo andei a chorar em silêncio, a amar em silêncio, a sorrir em silêncio, a sofrer em silêncio.

Mais uma vez presenciei tudo silenciosamente. Afinal, eu era a outre e tu nem sequer o sabias.

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1 comentário

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De Yohanan a 29.02.2012 às 21:03

sweet :)
está muito bonito :)

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